Os Catadores 2011

Vive-se num mundo complexo em que as diferenças sociais são cada vez mais gritantes e profundas. Em que o consumismo leva a procurar da satisfação momentânea, na tentativa sarar um problema de insatisfações sucessivas e torna a procura pelo ‘novo’ obsessivo e constante, rejeitando os bens que não servem mais trocando por novos de forma irresponsável e desequilibrada. Neste contexto em que o consumo é o principal convite, e o lixo o mais abundante que nunca, aparece um grupo de pessoas que lida diretamente com os despejos e mercadorias rejeitados. Eles são os Catadores de materiais recicláveis. Pessoas que dependem do lixo para sua sobrevivência e também para poderem chegar aos próprios bens de consumo. Numa cidade em que o apelo ao consumo é constante, e o convite á aquisição de bens se torna uma banalidade gerada pela industrialização e o desequilíbrio social é cada vez mais gritante. A quantidade de lixo gerada todos os dias é a única certeza real que salta à vista e interfere diretamente no dia a dia das pessoas. Ao longo do tempo que tenho estado em Salvador foi acompanhando catadores de materiais reciclados nos seus percursos pela cidade. A princípio, fiquei surpreendido com a quantidade de lixo que é acumulado ao longo do dia. Encontrei muitos tipos de pessoas, uns que exercem esta atividade por dificuldades de acesso a trabalhos convencionais na esperança de ganhar algum dinheiro. Alguns, para comer algo ao final do dia, outros para sobreviver um dia após o outro na incerteza do dia que vem a seguir. Encontrei nestes sujeitos a capacidade de desenvolver estratégias de sobrevivência, rejeitados pela população que os fez aparecer nas ruas. Vivem no fundo da cadeia de consumo para comprar os seus próprios bens. São pessoas com histórias de vida completamente diferentes que foram para á catação pelos mesmos motivos: falta de dinheiro. E de forma honrada vão fazendo a separação de matérias para a reciclagem.

We live in a complex world in which social differences are increasingly blatant and profound. In that consumerism leads to seek momentary satisfaction, in an attempt to heal a problem of successive grievances and makes the search for the 'new' obsessive and constant, rejecting the goods that are no longer exchanging for new irresponsibly and unbalanced. In this context in which consumption is the main invitation, and the garbage more abundant than ever, appears a group of people who deal directly with evictions and rejected goods. They are the pickers of recyclable materials. People who depend on the garbage for their survival and also to be able to get to own consumer goods. In a city where the appeal consumption is constant, and the invitation will purchase goods becomes a commonplace generated by industrialization and social imbalance is increasingly stark. The amount of garbage generated every day is the only real certainty that is obvious and directly affects the daily lives of people. Over time I have been in Salvador was watching pickers recycled materials in their paths around the city. At first I was surprised at the amount of garbage that is accumulated throughout the day. I have met many types of people, each engaged in this activity by difficulties in accessing conventional jobs in the hope of earning some money. Some, to eat something at the end of the day, others survive for one day after another uncertain day that follows. I found these guys the ability to develop survival strategies, rejected by the population that did appear on the streets. Live at the bottom of the consumption chain to buy their own property. These are people with completely different life stories that will have been grooming for the same reasons: lack of money. And so will be honored by separating materials for recycling.